No entanto, está claro o que houve por aqui. Essa juventude cresceu
em uma bolha em que a informação foi sendo injetada, canalizada. Um
dia, amigos, essa bolha ia estourar. Eis o resultado. Muito mais positivo do que qualquer
especialista poderia esperar. E pacífico também, porque se pensarmos na parcela
da população que se coloca com violência, ela não somará 5% dos que estão nas
ruas. Os brasileiros estavam engasgados e vomitaram em conjuntos de 50, 100,
200 mil.
Agora, entendamos uma coisa: os que dizem que há “rebeldes
sem causa” não estão enganados, porque há. Há os que não sabem por que se mobilizam.
E a pergunta, aquela que realmente importa, é: como fazer para que se tornem
conscientes? O papel de cada um de nós agora é o de responder a essa pergunta,
é o de levar informação clara junto às belas imagens dos atos: não são eventos,
são manifestos. A atenção dessas pessoas já foi chamada, nós conseguimos, elas
estão olhando para as ruas e caminhando.
Mas essas mesmas pessoas precisam tornar-se conscientes de que, quando a
“poeira baixar”, terão de respirar fundo e continuar, o que significa mudar de
atitude cotidianamente, significa atuar politicamente em questões importantes
não para elas, mas para a sociedade, significa não votar por influência
midiática direta, mas por terem buscado informação legítima, e, finalmente, significa posicionar-se.
Esse será o momento-chave, o passo mais difícil,
essa será a hora de mostrar o que mudou no país.
Hoje, o manifesto é pela revogação do aumento da tarifa.
Diariamente, o movimento precisa ser pela conscientização nacional.