sábado, 17 de julho de 2010

O QUASE

Sempre quis que minhas intenções fossem histéricas
Que meu pensamento fosse surdo
[e gritasse com medo de não ser ouvido.
Queria que minha vontade fosse sem vergonha, sacana
Que o meu desejo pulasse até ser percebido.
(M.S.)
- Acabou. (fala, virando-se da cadeira)
- Mas, como? De vez?
- "Acabar" é uma palavra difícil pra você?
- Foi por causa do que quase aconteceu, não foi? ... mas, nós nem chegamos a... você não precisava...
- Não se trata de ter acontecido ou não. Só que quase, já é alguma coisa...
- Como assim "alguma coisa"?
- Alguma coisa que quase aconteceu.
- Mas, não aconteceu nada!
- Aconteceu... um quase aconteceu. Não dá pra conviver com isso!
...
- E fui eu o culpado... sinto-me culpado...
- Não foi por você. Nem por ele. Foi pela culpa que eu senti.
- Não existe culpa, porque você não fez nada. Reagiu na hora certa.
- Quase.
- Não! Quase não... você reagiu!
- Antes de reagir, eu senti sua respiração ofegante em volta dos meus ouvidos... e a batida trepidante do seu coração, que parecia estar dentro do meu peito... eu senti você.
- E por que desviou?
- Por ele.
- E mesmo assim, acabou?
- Por mim.
- E agora... vai desviar de novo? (Levanta e se aproxima)
- Talvez.
- Mas, por quê?
- Porque quero que você sinta... (Aproxima-se. Mãos entrelaçadas)
- Que eu sinta? (Agora sim, sentindo seu próprio coração)
-... o que me fez voltar aqui. (Sussurra em seu ouvido)
- O quê? (Suplica, já indo ao encontro de sua boca)
- O quase. (Vira-se e sai pelo corredor afora)

M. S.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Comecei a escrever algo como contos que partem de estrofes de poesias minhas. Ainda não sei como classificar esse tipo de texto.

Nem sempre é o que parece ser

O que era demais se transformou

O que era paixão, hoje é amor

Aprendi a viver, quando descobri

Que nem sempre é o que parece ser.

Ela não sente mais o arrepiar de antes, quando ele a beija.

Mas, esqueceu-se dos outros tantos beijos.

Às vezes não quer que ele volte. Ou abre a porta querendo que ele vá.

Mas, a hora dela é a hora dele.

Não consegue contar o tempo, senão quando ele chega.

Não consegue guardar seus segredos, nem desfilar suas máscaras.

Não tem mais vergonha do seu corpo, nem do cabelo emaranhado.

Às vezes sente raiva, como a um irmão.

Uma guerra, mas sem nenhuma batalha por vencer.

E, todo dia, continua não se importando em se render.


MS.